Porque larguei a carreira profissional depois da maternidade? Parte 2

Até que em Julho de 2013, tive a confirmação da gravidez! Esperei até a 12ª semana de gestação para contar aos meus superiores, pois eu já sabia que a notícia não seria bem vinda.

E não foi mesmo, lembro como se fosse hoje, a conversa em uma salinha fria pelo ar condicionado, inventei que foi uma surpresa e não esperava por aquilo, depois desta conversa, as coisas NUNCA mais foram as mesmas!

Foi a partir deste momento que percebi que minha fase profissional com Planejamento de Vendas e Customer Service, acabaria com o nascimento da Rafaela, e talvez finalmente fosse o momento de tirar a vontade do negócio próprio do papel.

Eu ouvia a todo momento:

– “certeza que você não volta mais a trabahar depois que tiver o bebê.”

“- você sabe que agora tendo um filho não conseguirá se dedicar tanto aos projetos, não sabe?”

Pelos corredores: “já temos uma gestante hein! a próxima com intenção de engravidar tem que entrar na fila antes e ver se o chefe aprova.”

– “chefe se eu fosse você não contrataria mais mulher, apenas homens para o cargo.”

E mais outras tantas atitudes sórdidas que não valem a pena ficar relembrando, ao longo da gestação, aliás logo no começo, alguns projetos já foram delegados para outros funcionários.

Só gostaria de frisar aqui, que após o anúncio da gravidez eu conheci o desrespeito e o subjulgamento como profissional, a impressão é que parecia que eu estava alejada e doente e não podia executar tarefa alguma, fui aconselhada a travar até um processo judicial, mas eu nunca tive interesse por isso.

Digo que aconselhada porque em certos momentos as piadas passavam dos limites e não eram somente comigo, com todos outras que se encontravam na mesma situação, na época eu poderia ter sido mais firme e empoderada, mas não fui, poderia ter exigido mais respeito e diálogo, mas conhecendo o comportamento ignorante e enraizado no conceito de que mulher grávida não rende, o melhor foi ficar quieta mesmo.

Somente uma vez não abaixei a cabeça, após 12 horas seguidas de trabalho, tentando finalizar um relatório irreal, digo isso, porque hoje sei que era impossível terminar no mesmo dia, com os pés já doendo, muito inchados, fui comunicar que estava indo embora e terminaria no dia seguinte, os comentários desrespeitosos e absurdos me fizeram ter a certeza que após o término da minha licença-maternidade eu não continuaria a trabalhar ali.

Quando eu já estava com 32 semanas de gestação, durante um ultrassom de rotina, constataram que meu liquído aminiótico estava muuuito baixo, talvez eu precisasse ser internada. A decisão da minha médica foi me manter em casa em repouso absoluto com a dieta de 5 a 6 litros de liquído diários.

Como eu já não tinha praticamente nada de tarefas e projetos importantes comigo, apenas tarefas operacionais, no mesmo dia voltei para a empresa, comuniquei a licença repentina, juntei objetos pessoais e fui pra casa! Rafinha nasceu de 37,5 semanas.

O término dessa história vocês já devem imaginar, né?

Durante a minha licença, eu e o meu marido conversamos muito, o combinado era que eu não pediria demissão e sim esperaria a dispensa por parte da empresa, com o dinheiro da rescisão e o bom momento profissional dele na época, conseguiríamos segurar as pontas aqui em casa.

Perto do retorno, o desespero tomou conta de mim, pois em contato com as colegas de trabalho, não haviam indícios de que eu seria dispensada, com o coração apertado preparei tudo para o meu retorno, minha mãe quem ficaria cuidando da Rafa.

Em prantos, o dia de retornar chegou! Preparei tudo o que era necessário quando se deixa o filho com outra pessoa para cuidar, mesmo sendo a mãe, são instruções, listas, recomendações, contatos em caso de emergência, papinha, lembro até hoje da fisionomia da minha mãe sem entender porque eu chorava tanto.

Foram intermináveis 16 dias, isso mesmo exatos 16 dias, eu voltava para a casa correndo, com os peitos explodindo de leite, eu chegava a tirar na empresa de 3 a 4 potinhos, mas no final do dia já estavam cheios novamente, sentia muita dor a ponto de não conseguir levantar os braços, logo no retorno fui comunicada que eu não executaria mais as mesmas tarefas, seria outra, muito inferior ao que eu fazia e eu disse que não aceitaria esse tipo de mudança! Ficaram de pensar o que seria feito comigo e após 16 dias veio então a dispensa!

Foi assim que terminou minha jornada corporativa! Não foi um final feliz, mas com certeza foi para começar um outro ciclo, muito mais repleto de realizações, crescimento e aprendizado.

Entendi de uma vez por todas que deveria ir atrás do meu tão sonhado negócio próprio e decidi não voltar mais ao mercado de trabalho, foi uma adaptação intensa aqui em casa, mas isso é assunto para outro post.

E essa foi a minha escolha. O importante é sempre se sentir feliz e realizada e tentar ajustar suas prioridades de acordo com a fase em que se encontra.

O assunto é polêmico, sim eu sei! Decidi contar como decidi deixar a carreira profissional, após a maternidade para conhecerem a minha trajetória e para abraçar como sempre tantas outras mulheres e mães que passam pela mesma situação! A intenção aqui não é definir quem tem razão, ok?

Há quem afirme que o preconceito e a discriminação com mulheres grávidas são justificáveis pela falta de empenho, baixa produtividade, diversas saídas para o médico e realização de exames, fatores totalmente equivocados em tempos como os de hoje, onde empresas de sucesso se preocupam com a qualidade do serviço entregue, independente de sua condição física.

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