Mais uma vez me senti…

Mais uma vez me senti “mãe” após 4 noites sem dormir com o filho com febre. E aí mais uma vez me lembrei das frases e queixas que escuto em meus atendimentos: ” a febre não baixa nem com antitérmico”, “e quando cede, ela volta em menos de 4 horas”, “passei a noite toda acordada ao lado dele, medindo temperatura e fazendo compressa fria”, “ele tosse a noite toda”, “ele não é assim caidinho”, “ele não quer comer nada”.

É verdade mãe!!!! Tudo que você fala é verdade!!! Eu te entendo!!!! Não que eu não te entendesse antes, não que eu não acreditasse em você antes!!!! Mas agora é diferente, eu vivi o que você viveu nos bastidores, no silêncio da noite!!! Diversas vezes, como você!!!!

Como pediatra aprendi que antitérmico na dose correta baixa a febre associado ao banho!!!! Sendo mãe aprendi que não é bem assim. Não baixa o quanto uma mãe quer que baixe!!!!! Um 37,5 após o antitérmico não é suficiente para uma mãe. Nem mesmo para uma mãe pediatra. Queremos um 36; 36,5!!!!! Queremos que a febre desapareça e não retorne mais, mesmo sabendo que ela vai retornar. E sabendo que ela vai retornar queremos que ela volte após 10, 12 horas no mínimo e não de 4/4h.

E quando ele consegue dormir após a medicação da meia noite e acorda às 3h da manhã quente e chorando, você pega o termômetro imaginando os 40 graus antes mesmo de medir e sofrendo por ansiedade, seu coração acelera e recorre às orações!!!! Pois é, nesses momentos aprendi que a oração de uma mãe arrebenta as portas do céu!!!! O que atrapalha nisso tudo é a informação técnica. Verdade, ela nem sempre ajuda!!!! Pois você passa a noite toda contando a frequência respiratória, auscultando, procurando gânglios e petéquias atrás da orelha. Aí quando começa a coriza você respira aliviada. Ufa…. deve ser vírus mesmo!!!! Mas poxa que vírus f… que causa febre de quase 40 graus, prostração, irritabilidade. Que azar tadinho!!!!!

Mas aí ele já está tomando antibiótico né!!!! Com uma febre tão alta, qual é a mãe que aguenta esperar 72h de febre? Ainda mais sendo pediatra e tendo acesso fácil as medicações!!!!! Por isso que as vezes temos que recorrer aos colegas, filho de pediatra, tem que ter pediatra, alguém que pense com a razão, pois nossas condutas estão ofuscadas pela emoção. Ser mãe pediatra, é muito mais difícil do que simplesmente ser mãe!!!! Pois qualquer médico para chegar a um diagnóstico final ele pensa primeiro nas hipóteses diagnósticas. E dá para imaginar quais são as hipóteses diagnósticas das mães pediatras???? Assim como qualquer mãe que teme o pior, pensamos nas mais graves, meningite, encefalite, pneumonia … quem disse que só suspeitamos de gripe e esperamos tranquilamente pelas 72h de febre???? Somos mães. E mãe tem algo em comum, amor incondicional pelo filho. Então não pense que ser mãe pediatra é mais fácil. Ainda mais no primeiro filho. Estamos aprendendo como vocês, a ser mãe!!!!

Texto lindo escrito por uma amiga minha, que é pediatra e mãe 🙂

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