Encontro de Pais e Educadores de Adolescentes

Dia 21 de Setembro foi o dia Internacional da Adolescência, em parceria com o Metro Jornal e a Revista Canguru, tive a oportunidade de participar deste evento voltado a pais e educadores de adolescentes, estatísticas mostram que estamos lidando com a geração de adolescentes mais tristes dos últimos tempos, segundo Jacqueline Vilela, palestrante e autora do livro “Meu filho cresceu e agora?”, não devemos nos prender no mito de que a adolescência é “só uma fase” e “vai passar”, precisamos saber estabelecer vínculos com os nossos filhos que fiquem marcados para a vida toda.

Aqui neste post, trago um pouco de como foi esse encontro e torço para que venham muitos outros, porque precisamos falar mais da adolescência.

A abertura da palestra começou com a apresentação de Kellem Krause, autora do conto Essência de Ser, do livro Contos que Curam, fantasiada de Discípula de Esopo, me senti fazendo uma viagem ao inconsciente, imaginando minha filha adolescente e perdida em meio a tantas emoções e sentimentos, acho que essa era a mensagem do conto. Tentar se colocar no lugar do nosso filho, que já não é mais uma criança, cresceu, mais ainda precisa de nossa ajuda e atenção para continuar a sua jornada, se encontrar e perceber qual o seu papel aqui no mundo.

Eu sinceramente, me encantei, mesmo tendo uma filha de apenas 5 anos, me orgulho de mim mesma, em saber que estou buscando conhecimento para entender e ajuda-la no futuro com as suas incertezas e dificuldades. A intenção não é montar um manual para chegar graduada em comportamento de adolescentes não, mas entender cada comportamento hostil que ela terá nesta fase. Aquele apego, aconchego, atenção não deve jamais deixar de existir, porque o seu filho “cresceu”, eles sempre vão precisar da nossa atenção, de uma maneira diferente, mas ainda precisam sentir aquele mesmo amor de quando era criança.

Eu ganhei o livro da Kellem e meu sentimento é de Gratidão, será um livro de cabeceira! Recomendo!!!

Eu gravei a apresentação da Kellem na palestra, está disponível no IGTV, parte 1 e parte 2, assistam se possível para terem uma ideia da mensagem da autora.

“Nossos jovens não são porco-espinho, são imãs que querem atrair as pessoas, o conto Os Três Reinos, pede para refletirmos sobre ouvir a voz de alguém que se sente sozinho e sem identidade.” Mensagem de Kellem Krause

Palestra Bete P. Rodrigues – Disciplina Positiva para adolescentes

Uma abordagem para mediar conflitos

Uma característica muito importante da adolescência é descobrir quem sou eu. Por isso mudam muito o estilo (para roupa, música…), coisas que caracterizam esta nova fase.

No ranking de prioridades do adolescente a família é uma das últimas, por isso identificamos essa fase como ruim, a fase rebelde, eles testam os valores da família.

É necessário nos atentarmos as mudanças físicas, emocionais, é um turbilhão de hormônios, o cérebro ainda não está totalmente formado, o córtex frontal, responsável pelas emoções não está completo. A pressão da sociedade contribui para esse turbilhão de emoções, como padrão de beleza, marca de roupas, devemos desenvolver a empatia pelos nossos adolescentes.

Uma característica marcante do adolescente é mostrar que ele sabe fazer tudo sozinho, “eu sei”, “eu posso”, eles estão buscando o seu limite, o seu poder pessoal, eles querem desenvolver a sua autonomia, porém hoje em dia as cobranças são imensas, decisão pela carreira que vão seguir, alguns com agenda de executivos, ficam horas na escola, sendo cobrados por diferentes pessoas, estilos e formas, esse poder pessoal que eles precisam exercitar será exposto da maneira mais doida para pais e professores, o “Não”, o confronto, conhecido como a rebeldia, mas estão apenas sendo adolescentes, por isso a grande necessidade de privacidade que nos incomoda tanto.

As perguntas:

– De que lado você está?

– Que modelo parental você usa?

– Controlador? Permissivo?

– Você está do lado do seu filho?

– Seu filho sente que você está do lado dele?

São perguntas para uma reflexão sobre como lidamos com a adolescência, parece que os adolescentes estão de um lado e pais e educadores de outro, mas não, por isso encontros como este, mostram como estamos preocupados em aprender a lidar com esse comportamento, em como entendê-los.

“Será que seu filho sabe que você está do lado dele?”

Achei essa pergunta profunda, porque sempre queremos que nossos filhos de comportem da maneira “ideal”, criamos muitas expectativas, irreais inclusive, pois são apenas adolescentes, não existe esse adolescente perfeito, educado, com excelentes notas.

Para representar melhor essa fase da adolescência, Bete Rodrigues apresentou a seguinte metáfora: “a adolescência é como se fosse um avião e nessa fase da adolescência é seu filho quem assume o comando, se torna piloto e você até pode ser o co-piloto, estar sentado ao lado dele e ser a pessoa que ele irá recorrer, se precisar e se quiser, sabe que você vai estar ali o tempo todo, acordado, apoiando-o para o resto da vida, para ajudá-lo a decolar e voar.”

E neste gancho, Bete enfatizou muito sobre o comportamento parental controlador, aquele em que gritamos, cobramos com diversas perguntas e imposições:

– você já é grande!

– você já sabe fazer isso, porque fez errado?

E esperamos pelas “nossas respostas”, geralmente não queremos ouvir a resposta de nossos filhos, por isso muitas vezes ficam calados, nem respondem.

Punição funciona? Típicas punições que fazemos é tirar privilégios, colocar de castigo, proibir. Precisamos refletir sobre o que efetivamente eles aprendem com isso. Esses comportamentos só nos distanciam dos adolescentes, quebram qualquer possibilidade de conexão.

Porém devemos tomar muito cuidado com o comportamento Permissivo, deixar de cobrar, exigir responsabilidade, este extremo também é perigoso, “privilégio vem junto com responsabilidade”, este tipo de comportamento induz a erros, o de proteger, de mimar, de não querer que seu filho passe por frustações, de evitar que seu filho passe por situações que você passou em sua adolescência, com esse olhar protetivo, ficamos gerenciando a vida de nossos filhos, fazendo escolhas por eles, coisas que eles seriam capazes de fazer sozinhos, esse é o grande perigo dos pais permissivos, os adolescentes precisam aprender com a experiência de vida, se não, perdem a possibilidade de aprender o foco da Disciplina Positiva: habilidades de vida, preparação para a vida.

A Disciplina Positiva defende a seguinte abordagem: utilizar a firmeza e a gentileza, podemos ajudar adolescentes a se tornarem adultos capazes de lidar efetivamente com desafios.

Precisamos dizer não, mas de uma forma digna, com respeito e colocar limites, porém existem formas de se colocar isso. O respeito mútuo vai ser através dessa nossa liderança gentil e firme.

E como fazer isso funcionar por muito tempo?

7 Dicas para criar conexão com seu filho:

– Coloque-se no lugar do seu filho e seja empático, diga para o seu filho que você está ao seu lado.

Uma frase bem legal que a Bete citou: “Quem disse que para uma criança agir melhor, antes ela precisa se sentir pior”.

– Ouça e seja curioso, crie a habilidade de ouvir, demonstre curiosidade.

– Pare de se preocupar com que os outros pensam e faça o melhor para o seu filho. Foque em seu filho, não se preocupe com a opinião alheia, e o mais importante, nossos filhos precisam saber disso.

– Substitua humilhação por encorajamento, localize as poucas coisas boas que eles têm, porque é isso que parece, que há muito mais coisas ruins do que boas nessa fase, mas será? Seu filho precisa se sentir notado, percebido.

– Certifique-se que a mensagem de amor seja compreendida. Muitos relatos de adolescentes em pesquisas mostram que a maioria sente que pais e educadores não se importam com eles. Deixe claro a mensagem de amor.

– Encoraje seu filho a se concentrar em soluções, pois os problemas existirão. Notas baixas, mentiras que você descobrirá, significa mostrar que o ambiente da nossa casa ou a sala de aula permite o erro. Mostre que o erro é uma oportunidade de aprendizado.

– Faça acordos e respeite, deixe claro, o que foi acordado tem suas consequências. Faça combinados!!!

E para finalizar outra metáfora usada pela Bete:

“Lembra quando você colocava seu filho na cadeirinha e ele resistia? No final dava tudo certo, ele acabava ficando…, o tempo passou, ele cresceu!!! No carro ele ficava no banco de trás, cresceu mais um pouco e pôde vir para o banco da frente, uma conquista! depois de uma certa idade, eles já podem dirigir, querem ir para o nosso lugar e eles têm esse direito, podem e precisam praticar, dirigir o carro da própria vida, saber como dirigir, como parar, quais desvios terá, qual caminho escolher, qual rota para chegar naquele lugar, quais as paradas, essa habilidade de assumir o banco do motorista, de pegar o volante e assumir as rédeas da própria vida, é a metáfora de ter um controle interno, onde ele se sente capaz de fazer sozinho, sem ajuda, conseguir dar conta, mas lembre-se, não é mágica, nós pais precisamos estar ali no banco do lado, ser o co-piloto, apoiando, encorajando, pedindo “filho ignore as buzinas lá de fora”, foca aqui, ajude com boas perguntas, se você tiver o papel de um bom co-piloto, seu filho vai dirigir bem o resto de sua vida e ainda te convidar para sentar ao seu lado, se não, você corre o risco dele nem te convidar para sentar ao lado dele.”

Paletra Jacqueline Vilela

Como criar vínculos com os adolescentes

Autora do livro: Meu filho Cresceu e Agora?

No dia da palestra foi o lançamento oficial do livro.

Falar sobre a adolescência é uma paixão da Jacqueline, por isso neste encontro ela aproveitou para nos passar algumas mensagens e ressalta:

Como podemos criar vínculos com os adolescentes?

A adolescência há um tempo atrás foi negligenciada, tinha-se o conceito de que o adolescente deixou de ser criança e exigia-se o comportamento maduro de um adulto, esta criança tinha que aprender a deixar de ser criança, ingressar na vida adulta. Depois vieram os conceitos negativos sobre a adolescência, mitos como “aborrecente”, “uma fase passageira”, “meu filho não quer a minha presença, então eu me afasto”.

“É necessário recriar a maneira como se enxerga a adolescência, se quisermos salvar os nossos adolescentes.”

A adolescência é a fase do grito e hoje esse grito é de dor, de não saber qual é o seu lugar nessa sociedade. O adolescente de hoje sente que enxergam o seu valor se ele passar no vestibular ou entrar em uma boa faculdade.

Essa dor, esse grito sufocado, também está nos pais de hoje, ao perceberem que o filho idealizado na sua mente não existe, uma das principais causas do distanciamento, os pais vão conversando com o filho idealizado e se esquece do filho ao seu lado.

A primeira coisa que desconecta do vínculo, lá do início, na infância, onde tudo era o amor, é a sensação do adolescente, de que ele não é aceito.

A única maneira de reconstruir esse vínculo perdido, ou de até construir, se você não o conseguiu em fases anteriores, é o amor, parece óbvio, mas há uma diferença, não estamos falando do amor sentido e sim do amor percebido.

Em seu livro a Jacqueline ensina diversas formas de percepção de amor.

Como meu filho percebe o meu amor? Pode ser pelo toque, por uma palavra, por um presente.

É nesse amor percebido que o adolescente sabe, aconteça o que acontecer, que ele tem o amor dos pais, sabe que ele tem para onde voltar. O adolescente tem a necessidade do “pertencer” e se ele não sente isso, com certeza ele irá procurar um outro grupo para fazer parte.

O nosso papel como pais e educadores é o olhar de que o adolescente precisa ser escutado.

Essas foram as mensagens passadas pelos palestrantes!!!

Lu Wielli

Deixe seu comentário!